Conheça a história da Ilha Grande do Piaui

Em meados do século XVI, hoje Ilha Grande de Santa Isabel era conhecida como Coroa Grande ou Coroa Igaraçu, nome dado ao rio que banhava suas margens findando-se ao mar por suas veias caldosas.

Aproximadamente no ano de 1692, Dona Mariana Alexandre Viana, mulher de fibra já para sua época, tornara-se viúva, mediante circunstância não datadas, se instalou-se na ponta da Coroa Grande, próxima ao igarapé que ligava-se com o rio igaraçu, braço importante do rio parnaíba, se instalava então numa casa grande ao pé do morro, com seus seis filhos, sendo quatro(04) homens e duas (02) mulheres.

A região era de uma fartura diversa, o caju, murici, guagirú e puçá era as frutas que se mais via naquele pedaço de paraíso, a fauna era rica e a flora mais ainda, raposas, gatos maracajás, cutias, peixes e mariscos em abundância se destacavam-se pelas belezas que formavam aquele pedaço de ilha, em épocas de chuvas pesadas, a geografia do lugar mudava, as águas invadiam as trilhas e matas, deixando a Coroa Grande isolada de Parnaiba, somente sendo acessada por meio de canoas através de seus igarapés, por sua proximidade com o mar até o século XVIII, nas mares baixas e de grandes estios, propiciava-se uma grande produção de sal, abastecendo a região.

As notícias eram transmitidas pelos caçadores e pescadores que lá se aportavam na casa de Dona mariana, que recebia todos com muito afeto, pois fazia de sua casa uma pousada de farta comida, que atraia pessoas que lá passavam a tratar de negócios e mais tarde fincando-se raízes pelas redondezas de sua casa. As regiões mais altas se plantavam de tudo, especialmente num determinado lugar que mesmo com as enchentes sempre ficava seco, lá então os moradores do canto da Coroa, plantavam batatas em grande escala já para a época, dai se originou-se o nome de Ilha das Batatas. Com o pioneirismo de Dona Mariana e seus filhos, logo as notícias desse paraíso farto viajou com o vento e muitas outras famílias começaram a povoar o Canto da Coroa Grande, com suas dunas douradas ao sol, vistas de longe, então, se originou-se por convenção de todos, a localidade Morros da Mariana, até hoje sendo mencionada essa válida homenagem a esta desbravadora da região. Conta-se uma história pitoresca, contada até hoje pelos mais velhos de Ilha Grande, que Minervina, filha de Dona Mariana, casada com João Branco, tinha uma filha chamada Maura. Um dia Minervina levou sua filha a uma localidade chamada de Cupim, ali havia um poço natural de aguás limpas e profundas, estando elas ali em contato com tanta beleza, prestaram a fazer o serviço de lavar roupas, distraídas observaram um movimento súbito das águas do poço e de repente em frente a menina Maura surge uma cobra sucujú enorme que enlaça a pequena de seis anos, levando ao fundo sob os olhares perplexos de sua mãe.

Através de um grito de dor os hóspedes da casa de sua mãe Mariana ouviram e logo foram a sua ajuda.

Atirando-se nas águas do velho poço e conseguindo através de muito esforço a captura do réptil, com suas facas e facões abrindo a sua carcaça e retirando já sem vida o anjinho de Minervina. O fato foi tão grotesco que abalou a todos na Vila dos Morros da Mariana.

No sepultamento de Maurinha no lugar que hoje é conhecido como cemitério de Morros da Mariana.

Contam os mais velhos que, tempos depois, pelos meados de 1755, Maurinha teria aparecido a Dona Mariana, no meio de uma luz clara sobre o luar daquela noite e suavemente lhe falou entre outras vozes harmoniosas, o pedido que se fosse construída uma capela em homenagem a Nossa Senhora da Conceição e instruiu como edificá-la.

Dona Mariana aos seus 99 anos de pura lucidez, chamou seu genro João Branco, pai de Maurinha e contou-lhe a visão, logo então se fez o pedido a realizar por todos da família e pelos moradores do lugar.

Logo após então, se deu de forma vagarosa o crescimento de sua população, definindo-se como o povoado de Morros da Mariana, se deslocando-se do núcleo principal do povoado de Santa Isabel.

Hoje cidade de ILHA GRANDE.

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